Caso insólito em Odisha expõe choque entre burocracia, pobreza extrema e falta de literacia
Um caso chocante e insólito ocorrido no estado de Odisha, no leste da Índia, está a gerar forte impacto internacional. Jeetu Munda, homem pertencente a uma comunidade tribal pobre, levou os restos mortais da irmã até uma agência bancária depois de não conseguir aceder às poupanças deixadas por ela após a sua morte.
Segundo relatos locais, o homem afirmou ter-se deslocado várias vezes ao banco para tentar levantar o dinheiro existente na conta da irmã, mas sem sucesso. De acordo com o próprio, os funcionários insistiram na necessidade de documentação formal para validar o processo. Sem compreender totalmente os procedimentos legais e alegadamente sem capacidade para obter de imediato a certidão de óbito, Jeetu decidiu desenterrar os restos mortais da irmã e apresentá-los como prova física da sua morte.
O caso rapidamente ganhou dimensão mediática, levando o Indian Overseas Bank a emitir um comunicado oficial. A instituição negou ter exigido a presença física da falecida e explicou que apenas seguia os protocolos legais destinados a proteger os fundos da titular da conta, rejeitando acusações de assédio ou tratamento desumano.
Quando Jeetu chegou à agência com os restos mortais, a polícia local foi chamada ao local. As autoridades conseguiram intervir, explicando-lhe a necessidade da certidão de óbito e ajudando-o a compreender o processo burocrático. Posteriormente, o homem voltou a enterrar a irmã e está agora a receber apoio policial para regularizar a documentação.
A irmã de Jeetu Munda terá falecido há cerca de dois meses e possuía aproximadamente 19.300 rupias indianas, o equivalente a cerca de 170 euros. O episódio está a ser visto como um retrato dramático da pobreza, da exclusão social e da falta de acesso à informação em comunidades vulneráveis, levantando também questões sobre a forma como sistemas burocráticos podem falhar junto das populações mais desfavorecidas.





