Polícia Judiciária de Aveiro reúne mentiras de Fernando Valente e contradições dos pais para reforçar tese de crime passiona
A investigação da Polícia Judiciária de Aveiro concluiu que foi a gravidez de sete meses de Mónica Silva — a conhecida “grávida da Murtosa” — que motivou Fernando Valente a planear e executar o homicídio da sua amante. De acordo com fontes oficiais, o arguido terá mentido diversas vezes ao longo do inquérito, dificultando a descoberta do paradeiro do corpo e atrasando o esclarecimento dos factos.
Durante os mais de 18 meses de inquérito, a PJ detetou várias incongruências nos depoimentos de Fernando Valente. Enquanto negava ter qualquer envolvimento na morte de Mónica, o empresário acabou por admitir ter mantido uma relação íntima e prolongada com a vítima, embora tentasse iludir a paternidade do feto. Para o Ministério Público, o receio de ver reconhecida oficialmente a maternidade e paternidade foi decisivo para a decisão de Valente eliminar a concorrência pelo seu património.
Não foram apenas as declarações do arguido a cair em contradição: também os pais de Fernando Valente, ouvidos como testemunhas, apresentaram versões desencontradas sobre a localização da viatura do filho e os objetos retirados do apartamento em Torreira. Estas divergências reforçam a suspeita de que toda a família poderá ter ajudado a encobrir vestígios do crime, suscitando questões sobre a eventual cumplicidade familiar.
Para além das contradições orais, a investigação recolheu provas materiais: o teste de ADN, que comprovou a gravidez de sete meses, gravações de telemóvel e imagens de videovigilância que demonstram movimentos atípicos do acusado no dia 3 de outubro de 2023. A análise forense ao apartamento onde Mónica foi morta revelou ainda sinais de limpeza profunda, reforçando a tese de premeditação.
O julgamento de Fernando Valente arranca esta segunda-feira, 20 de maio, no Tribunal de Aveiro, por um tribunal de júri. O arguido está acusado de homicídio qualificado, aborto, profanação de cadáver e outros crimes conexos. Caso seja condenado, arrisca pena máxima de 25 anos de prisão, tendo já assumido ser “o único responsável” e prometendo colaborar com a justiça no apuramento da verdade.






