Ex-almirante apresentou candidatura à Presidência da República com discurso firme sobre democracia, identidade nacional e o papel ativo do Chefe de Estado
Henrique Gouveia e Melo, almirante na reserva e ex-coordenador da campanha de vacinação contra a COVID-19, oficializou esta quinta-feira, 29 de maio, a sua candidatura à Presidência da República. A cerimónia decorreu na Gare Marítima de Alcântara, em Lisboa, perante uma plateia lotada e visivelmente entusiasta. A apresentação ficou marcada por um discurso pautado pela esperança, pela defesa da democracia e pelo apelo à coesão nacional, numa altura que o próprio define como “incerta e perigosa”.
O candidato começou por justificar o seu avanço com “um apelo crescente, espontâneo e genuíno”, assegurando que pretende ser um Presidente “estável, confiável e atento”, que não se limite a ser “um mero espectador da vida política”. Gouveia e Melo reforçou que a função presidencial deve ser a de “árbitro e moderador” e destacou que “Portugal não está imune” aos ataques à democracia, à desmotivação da sociedade e à instabilidade que paira sobre o mundo ocidental.
Com forte carga simbólica e emocional, o almirante recordou os momentos mais marcantes da sua carreira ao serviço do país: os incêndios de Pedrógão Grande, onde esteve com as populações “no meio das cinzas e da dor”, e a liderança da ‘task force’ que organizou a vacinação em tempo de pandemia. “Estive sempre onde o país me chamou”, sublinhou, acrescentando que esta candidatura é mais uma forma de continuar a servir Portugal, agora a partir de Belém.
Durante cerca de 15 minutos, Gouveia e Melo traçou um retrato do atual panorama internacional e nacional, apontando o regresso da guerra ao centro da Europa, a instabilidade no Ocidente e o esmorecimento da economia global. “A força tenta impor-se à razão, as democracias são corroídas por dentro, e Portugal não vive numa redoma protetora”, alertou. Numa sala repleta de bandeiras nacionais e do slogan “Unir Portugal”, o candidato foi várias vezes aplaudido, sobretudo quando apelava à união e à identidade como pilares do futuro do país.
No encerramento do discurso, Gouveia e Melo reafirmou a sua missão com palavras fortes: “Não consegui ficar de braços cruzados. Amo este país e sinto que é meu dever agir.” Rodeado de jovens no palco, o candidato terminou a apresentação com o Hino Nacional e um ambiente carregado de simbolismo patriótico. Com esta candidatura, o almirante apresenta-se como uma figura independente, determinada a devolver aos portugueses a confiança numa liderança ética, coesa e próxima.






