Ex-almirante afasta-se de André Ventura e apela à estabilidade institucional e à moderação democrática
Henrique Gouveia e Melo anunciou esta quinta-feira que irá votar de forma “útil” em António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais, marcada para 8 de fevereiro. O antigo chefe do Estado-Maior da Armada, que ficou em quarto lugar na primeira volta, justificou a sua decisão com a necessidade de defender a estabilidade institucional e travar projetos políticos que, na sua perspetiva, procuram afirmar-se como alternativas governativas a partir da Presidência da República.
Numa nota enviada à agência Lusa, Gouveia e Melo explica que, após avaliar o posicionamento dos dois candidatos finalistas, concluiu que um deles pretende sobretudo afirmar uma agenda partidária e ambições futuras, enquanto o outro representa uma visão mais moderada do cargo. Sem nunca mencionar diretamente André Ventura, o ex-candidato presidencial deixa claro que a sua escolha recai sobre António José Seguro, assumindo esse voto como um contributo responsável para uma decisão “consciente e esclarecida” dos eleitores que confiaram nele na primeira volta.
O antigo almirante sublinha que a sua opção se enquadra naquilo que sempre defendeu para Belém: uma Presidência suprapartidária, focada no interesse nacional e na estabilidade democrática. “Encaro este voto como um voto útil ao serviço de Portugal”, escreve, acrescentando que o país precisa de moderação, coerência democrática e respeito pelas instituições, num momento particularmente exigente a nível interno e internacional.
Gouveia e Melo alerta ainda para o contexto global, marcado por ameaças à ordem internacional baseada em regras, defendendo que Portugal deve manter um alinhamento firme com a Europa e o espaço atlântico, sem abdicar de autonomia estratégica. No plano da Defesa, critica soluções ultrapassadas e apela ao investimento em tecnologia moderna, aprendizagem com a guerra na Ucrânia e reforço da indústria nacional, evitando erros do passado que drenaram recursos públicos sem ganhos reais.
No plano interno, o ex-candidato manifesta preocupação com o crescimento do radicalismo e da polarização na sociedade portuguesa, fenómenos que associa a desigualdades persistentes, falta de oportunidades e ao empobrecimento do debate político. Apesar de admitir que os resultados da primeira volta ficaram aquém dos seus objetivos, Gouveia e Melo garante que continuará ativo na vida cívica, reafirmando o seu compromisso com a democracia e com Portugal após 45 anos de serviço público.





