Fenómeno atmosférico extremo aumenta risco de incêndios e preocupa especialistas devido às alterações climáticas…
Portugal e vários países europeus preparam-se para enfrentar uma nova vaga de calor extremo nos próximos dias, impulsionada por uma chamada “cúpula de calor” instalada sobre grande parte da Europa Ocidental e Central. O fenómeno deverá afetar especialmente países como Portugal, Espanha e França, onde as temperaturas poderão atingir ou ultrapassar os 38 graus em várias regiões.
Segundo meteorologistas europeus, os valores previstos encontram-se entre 12 e 16 graus acima das médias habituais para esta altura do ano, cenário que especialistas associam diretamente ao agravamento das alterações climáticas. A situação está a ser acompanhada por entidades meteorológicas internacionais, incluindo a Météo-France, que identifica o fenómeno como uma “cúpula de calor altamente anómala e intensa”.
Mas afinal, o que é uma cúpula de calor? Também conhecida como “bolha de calor”, trata-se de um sistema de alta pressão atmosférica que permanece praticamente imóvel sobre determinada região. Este sistema empurra o ar quente para baixo, comprimindo-o e aumentando ainda mais as temperaturas à superfície. Ao mesmo tempo, funciona como uma espécie de tampa atmosférica que impede a circulação do ar e reduz a formação de nuvens, prolongando os períodos de calor extremo durante vários dias consecutivos.
Apesar de muitas vezes ser confundida com uma onda de calor, a cúpula de calor não é exatamente a mesma coisa. Enquanto a onda de calor descreve um período prolongado de temperaturas muito elevadas, a cúpula é o mecanismo atmosférico que frequentemente provoca ou intensifica esse fenómeno. É precisamente essa persistência que preocupa os especialistas, já que o bloqueio atmosférico dificulta o arrefecimento natural do ambiente e aumenta os riscos para a saúde pública.
No caso português, as regiões do interior sul deverão ser das mais afetadas, com temperaturas próximas dos 40 graus e noites tropicais marcadas por mínimas muito elevadas. Os especialistas alertam ainda para o agravamento do risco de incêndios florestais, seca e problemas de saúde associados ao calor extremo, sobretudo entre idosos e pessoas vulneráveis. Estudos científicos recentes indicam que fenómenos como este se tornaram muito mais frequentes desde a década de 1950, reforçando a preocupação crescente com os impactos das alterações climáticas na Europa.






