Quantos de nós, não se lembram de ter passado horas à frente da televisão, a aprender sobre o corpo humano com a série de animação francesa, com o título Português “Era Uma Vez… a Vida”, que estreou em 1987 em Portugal, na RTP, na versão original e com legendas em português e que propunha uma viagem ao interior do corpo humano. Devido ao seu enorme sucesso, foi novamente transmitida na RTP2, nos anos 90, nos anos 2000 e ainda em 2021, acabando também por ser dobrada para a versão portuguesa, a qual acabou por ganhar o tão conhecido título “Era Uma Vez… O Corpo Humano”.
Com 26 episódios, “Era Uma Vez… a Vida” foi a terceira parte da série “Era Uma Vez”. Sempre com o ponto de partida uma temática educativa e pedagógica que explora o funcionamento do corpo humano, explicava de forma lúdica e simultaneamente didática, como os órgãos e sistemas do corpo humano funcionam, utilizando, para tal, personagens que representam células, vírus, glóbulos vermelhos, vírus, bactérias entre outros.

Algumas dessas inesquecíveis figuras eram o Mestre, com o seu aspeto de cientista e sua barba de comprimento que chegava aos pés, era tanto o narrador da série, como a personagem que representava a sabedoria e o conhecimento e no fundo o gestor do cérebro. A Globina representava um glóbulo branco, responsável por combater as infeções e proteger o corpo dos invasores, tais como o Chefe Vírus e o Tenente Micróbio. Pelo meio, tínhamos ainda Pedrito, um glóbulo vermelho, um jovem curioso e ativo sempre disposto a ajudar e aprender e que tal como Psi, outra célula jovem, companheira de Pedrito, ambos com um figurino humano, navegavam pelo interior do nosso corpo com recurso a uma espécie de nave espacial.

Pelo meio, muitos outros podiam ser vistos, como Proteínas, Aminoácidos, DNA/RNA, Açúcares, Plaquetas e muitas outras. Cada uma delas detalhadas de forma brilhante, cativante e entusiasmante, apreciadas por toda uma geração e respetivas gerações seguintes. Ainda hoje, é uma série extremamente bem conseguida, atual e perfeitamente adaptada a um ensino divertido, mas também preenchido por conteúdo útil e de fácil aprendizagem.

De realçar ainda a interessante forma como a série abordava o tema em questão, baseando a mesma numa “sociedade dentro do corpo”, sociedade essa com uma forte componente de estratificação piramidal de trabalho, que refletia bem a definição que tudo dentro do corpo humano está pensado para trabalhar em uníssono e todos no mesmo sentido.
A série é, ainda hoje, lembrada pelo seu estilo único, pela sua capacidade de misturar ciência com uma narrativa divertida, mas igualmente educativa, facilitando a aprendizagem do normal funcionamento do corpo humano e cativando tanto crianças como adultos.
A editora Planeta Deagostini, também responsável pela tradução para português, editou igualmente uma coleção da série, pela primeira vez em 1992. Esta primeira edição era composta por 55 livros e um boneco em várias peças e, em edições futuras, também na forma de uma caderneta de cromos.

“Era Uma Vez… a Vida” foi criada por Albert Barillé, argumentista, realizador e produtor que nasceu na Polónia e que, mais tarde, se mudou para a França. Aí fundou uma produtora, a Procidis, em 1969, que acabou por se tornar famosa precisamente pela criação da série “Era Uma Vez”, abrangendo temáticas históricas, científicas e culturais.
Antes de “Era Uma Vez… a Vida” e, quem sabe, tema para próximas Máquinas do Tempo, houve “Era Uma Vez… o Homem” (1979) e “Era Uma Vez… o Espaço” (1982). Depois disso, ainda foi feito “Era Uma Vez… as Américas (1991), “Era Uma Vez… os Descobridores” (1994) e “Era Uma Vez… os Inventores” (1996). Apesar da diversidade de temáticas, o Homem, o Espaço e a Vida foram aquelas que mais marcaram toda uma geração, acabando por serem traduzidas para mais de 40 idiomas e transmitidas em diversos países, tendo obtido um reconhecimento mundial pela sua qualidade educativa, mas, principalmente, pela sua criatividade.
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