Vítimas tinham sido dadas como desaparecidas há cinco dias e foram executadas com tiros na cabeça numa zona rural de Daule
O Equador está novamente em choque após a descoberta macabra dos corpos de oito jovens encontrados mortos dentro de sacos de juta na cidade de Daule, numa ocorrência que reforça a crescente onda de violência associada ao crime organizado no país. As vítimas estavam desaparecidas desde o dia 31 de maio, depois de terem saído de mota rumo a Milagro, numa viagem que deveria durar cerca de uma hora.
Os corpos foram localizados a cerca de 150 quilómetros das suas residências, numa zona rural isolada, o que reforça a suspeita de que terão sido transportados após o crime. Segundo as autoridades, todos os jovens foram assassinados com tiros na cabeça, num cenário de extrema violência que está a ser investigado como possível execução planeada. As vítimas foram identificadas como jovens entre os 15 e os 31 anos, incluindo vários irmãos e primos com fortes ligações familiares entre si.
De acordo com a investigação preliminar, citada pelo jornal El País, tudo indica que os homicídios não ocorreram no local onde os corpos foram encontrados. A polícia equatoriana trabalha com a hipótese de que os jovens terão sido capturados por uma rede criminosa com forte presença na região de Milagro, zona conhecida por atividades ligadas ao narcotráfico e ao crime organizado. As vítimas, segundo as autoridades, não tinham antecedentes criminais.
O perfil das vítimas reforça ainda mais o impacto social do caso. Os oito jovens eram oriundos de famílias trabalhadoras e estavam ligados a atividades agrícolas, sendo descritos pela comunidade local como pessoas pacatas e sem envolvimento em atividades ilícitas. O facto de todos terem laços familiares diretos entre si aumenta a dimensão trágica da ocorrência, que mergulhou a região em profundo luto.
Perante a gravidade do caso, as autoridades equatorianas já avançaram com um apelo público e uma recompensa para quem fornecer informações sobre os responsáveis, que ainda não foram identificados. As cerimónias fúnebres realizaram-se na sexta-feira, num ambiente de grande comoção, enquanto o país volta a debater a escalada da violência e a influência crescente de organizações criminosas em várias regiões do Equador.






