O cantor une-se ao clamor popular por justiça no caso de Odair Moniz, com uma mensagem de união e reflexão para a sociedade portuguesa.
Na tarde de hoje, 26 de outubro, o Marquês de Pombal tornou-se palco de uma manifestação repleta de emoção e clamor por justiça após a trágica morte de Odair Moniz, baleado por um agente da PSP na madrugada de segunda-feira, no Bairro da Cova da Moura. Movido por este acontecimento, Dino Santiago, cantor e ativista de 41 anos, lançou um apelo de paz e reflexão para todos os envolvidos. “Hoje, como um rio em movimento, corpos fundem-se numa só voz”, expressou, destaca que a manifestação vai além de uma causa individual, torna-se um símbolo de dignidade e justiça para todos os que foram esquecidos pela sociedade.
Organizada por associações de moradores dos bairros Zambujal e da Cova da Moura, e com a presença de representantes de outras áreas da região metropolitana de Lisboa, a manifestação procura unir vozes contra a violência policial e as desigualdades sociais. Dino enfatiza que este ato deve promover a união e não a divisão, defende o respeito pela diversidade. “O manifesto representa um apelo para sanar a fratura do ‘nós e os outros’”, explica o artista, propondo a construção de pontes de inclusão para todos, desde crianças e idosos até minorias étnicas, LGBTQIA+, imigrantes e refugiados.
Conhecido pelo seu ativismo em prol da igualdade racial, Dino Santiago sublinha que a paz exige ação e não apenas palavras. “O caminho para a equidade é longo, e a paz requer mais do que palavras – exige corpos em marcha, mãos estendidas, mentes abertas”, afirmou. A manifestação, segundo ele, simboliza uma luta coletiva onde cada rosto é um reflexo de dignidade, deseja um mundo onde a diversidade seja uma norma, não uma exceção. Dino pede ainda que a população e os manifestantes mantenham a calma e evitem generalizações, sublinha a complexidade das circunstâncias e das pessoas envolvidas.
Num esforço para equilibrar o debate, o cantor alerta para a importância de reconhecer que os problemas do sistema afetam tanto as comunidades marginalizadas como os agentes da PSP. “Nem todos os agentes da PSP são maus profissionais; muitos encontram-se igualmente vítimas de um sistema desigual que os coloca em posições de conflito”, destacou, frisa que é preciso evitar os julgamentos simplistas. Do mesmo modo, reforça que a maioria das pessoas que vivem nos bairros sociais não são criminosas, mas sim vítimas de um ciclo de injustiça e invisibilidade.
O evento, que seguiu do Marquês de Pombal até aos Restauradores, representa, nas palavras de Dino, um compromisso de unidade. “Este é o tempo de reconhecer a humanidade comum, onde o diálogo e o respeito possam, finalmente, encurtar as distâncias que nos separam.” Dino Santiago concluiu a sua mensagem expressando o desejo de que este momento simbolize o início de uma jornada onde as vozes continuam a erguer-se e as mãos se estendam até que o fosso entre “nós e os outros” se transforme num “nós” indivisível, movido pela paz e pela justiça.
Veja a seguir a partilha:






