O conhecido músico português abriu o coração numa entrevista recente e partilhou uma fase muito marcante da sua vida pessoal. O relato detalha a forma como o artista conseguiu compreender melhor a sua própria identidade após um período clínico bastante delicado.
A revelação foi feita num ambiente de grande proximidade e gerou uma onda de empatia imediata nas plataformas digitais, onde já circulam as imagens mais marcantes da conversa. O diagnóstico trouxe respostas para muitas das dúvidas que o acompanhavam desde a infância.
Zé Manel, o vocalista dos Fingertips, foi o convidado de Tânia Ribas de Oliveira no seu programa ‘Olhos nos Olhos’, da RTP Play. O artista partilhou os pormenores desta viagem de autodescoberta que mudou a sua rotina.
Vocalista dos Fingertips recorda isolamento e o impacto de vários diagnósticos tardios
A conversa abordou as dificuldades sentidas pelo cantor ao longo do seu crescimento e a sensação constante de desajuste face ao meio que o rodeava. O processo de identificação das suas características trouxe um novo sentido para o seu passado.
“Aos 36 anos eu descobri que sou autista, que tenho superdotação, que tenho PHDA (Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção), que tenho um processamento de palavras gestáltico, que sou um polímata…”, começou por dizer o músico, visivelmente comovido.
O cantor explicou que a descoberta aconteceu no seguimento de uma depressão profunda vivida há cerca de dois anos. As consultas médicas permitiram dar um nome às especificidades da sua forma de pensar, de agir e de interagir com o mundo.
Artista encontra conforto e sentimento de comunidade ao perceber que não está sozinho
A partilha serviu também para demonstrar o alívio que o conhecimento científico trouxe à sua vida quotidiana, quebrando um ciclo de incompreensão. O músico destacou o sentimento de pertença que desenvolveu após receber os relatórios clínicos.
“Eu sempre me senti diferente. Não melhor, não pior, mas efetivamente diferente. E talvez por isso o caminho tenha sido tão solitário. Mas de repente, depois de saber isto, eu percebi que não estou sozinho”, continuou o elemento dos Fingertips.
O vocalista referiu a existência de muitas outras pessoas que partilham das mesmas necessidades de descanso em relação aos estímulos visuais e sonoros, bem como na gestão dos contactos sociais diários, validando assim as suas próprias fragilidades.
Memória do pai falecido traz desabafo emotivo e promove reconciliação com o passado
A análise da sua árvore genealógica permitiu ao convidado de Tânia Ribas de Oliveira lançar um novo olhar sobre as atitudes e os comportamentos de um dos seus familiares mais próximos, que já partiu. A revelação trouxe um forte sentimento de paz.
O cantor recordou o progenitor, que faleceu em 2016 com 55 anos, e associou as características hereditárias à conduta que testemunhou em casa. O entendimento do quadro clínico permitiu reinterpretar antigos momentos de tensão familiar sob uma nova perspetiva.
“Perceber que o meu pai viveu uma vida inteira sendo autista, sem noção do que isso é, fez-me olhar para ele com muito mais amor, com muito mais sentido de perdão e






