O desaparecimento de Iara Ramos Nascimento, irmã do apresentador Cláudio Ramos, continua a gerar enorme preocupação…
A mulher, de 47 anos, foi vista pela última vez no domingo passado, em Vila Boim, Elvas, e desde então não há qualquer sinal do seu paradeiro.
Em declarações à CMTV, o antigo inspetor da Polícia Judiciária, Manuel Rodrigues, analisou o caso e deixou um alerta claro: “Já passaram sete dias e não há sinal dela em lado nenhum. Começa a ser uma situação de muita dúvida e, obviamente, a família começa a temer o pior.”
O especialista sublinhou que cada indício é crucial e que “todos os elementos são importantes”, defendendo uma atuação rápida por parte das autoridades.
“Impõe-se fazer um levantamento o mais rápido e o mais profundo possível, abordando tudo o que possa ter contribuído para esta situação. É preciso perceber se esta senhora estava a passar dificuldades, se tinha depressão, problemas económicos, familiares ou de saúde mental. Tudo conta”, explicou.
Iara, descrita por familiares como “muito reservada”, perdeu o marido há três anos — um momento que, segundo o ex-inspetor, “não pode ser ignorado”.
“Nós não sabemos a intensidade da ligação que ela tinha ao marido. Pode não ter conseguido ultrapassar a morte e ter ficado afetada a partir daí. Há imensas causas que podem explicar o desaparecimento de uma pessoa adulta.”
Manuel Rodrigues destacou também a complexidade dos casos de desaparecimento, sobretudo quando não há indícios imediatos de crime:
“Não há um local de crime, não há um ponto de partida claro. E isso cria uma dificuldade imensa.”
Ainda assim, o ex-investigador considera que a ausência de qualquer contacto por parte de Iara torna improvável um desaparecimento voluntário:
“Parece-me muito estranho. Ela tinha uma ligação à família, aos irmãos. Se fosse uma ausência voluntária, provavelmente já teria dito algo como ‘estou bem, só precisei de uns dias’. O facto de isso não acontecer começa a não fazer sentido.”
Face ao passar do tempo, Manuel Rodrigues defende uma mudança de estratégia por parte das autoridades:
“Acho que já deveria ter sido aberto um inquérito e investigar-se isto como se de um crime se tratasse. Um inquérito permite recorrer a várias técnicas e tecnologias — rastreios de telemóveis, localizações celulares, movimentos bancários. Tudo isso aproxima-nos da verdade.”
Apesar de reconhecer que a lei protege o direito de um adulto desaparecer por vontade própria, o ex-inspetor lembra que “enquanto isso não se comprovar, a possibilidade de estarmos perante uma situação grave ou mesmo um crime não pode ser afastada.”
E conclui com uma nota de esperança e urgência:
“Se for encontrada bem e não quiser ser localizada, tem esse direito. Mas até lá, o papel das autoridades é investigar — e depressa.”






