Perigo de queda da arriba leva autarquia de Almada a pedir estado de calamidade ao Governo
Cerca de 500 pessoas foram obrigadas a abandonar as suas casas em Porto Brandão, no concelho de Almada, após sucessivas movimentações de terras que aumentaram o risco iminente de derrocada da arriba. A situação, considerada a mais crítica do município, levou a presidente da Câmara, Inês de Medeiros, a solicitar ao Governo a decretação do estado de calamidade local, de forma a acelerar medidas de apoio e intervenção no terreno.
O processo de retirada dos moradores decorreu ao longo de vários dias e contou com o apoio da Transtejo/Soflusa, que assegurou o transporte de viaturas por via fluvial no rio Tejo, além de colaborar na deslocação de residentes. A autarca admitiu que, embora o risco naquela zona não seja recente, a dimensão e rapidez do agravamento da situação surpreenderam as autoridades locais. “Trata-se de uma grande extensão de terra em risco de desabar”, sublinhou.
De acordo com uma fonte oficial da autarquia, em declarações prestadas ao CM, pelas 18h00 de sexta-feira já não havia moradores por retirar. Horas antes, foi autorizada uma entrada controlada em Porto Brandão e Formozinhos para que os residentes pudessem recuperar bens pessoais deixados nas habitações. Parte dos desalojados encontra-se instalada em equipamentos municipais, enquanto outros receberam apoio de familiares e amigos.
Para já, não existem garantias de regresso às habitações e a câmara admite que algumas áreas poderão mesmo tornar-se definitivamente inabitáveis. A autarquia aguarda agora que o Executivo avance com o estado de calamidade, condição considerada essencial para mobilizar recursos extraordinários e avançar com uma análise técnica profunda à arriba, numa tentativa de travar novos deslizamentos e proteger a população.




