José Carlos Castro explica porque deixou o “Jornal Nacional” e apostou num projeto que viria a transformar a televisão portuguesa
Um dos pivôs mais conhecidos da televisão portuguesa revelou recentemente os bastidores da decisão que o levou a trocar a TVI pela CMTV, um passo que viria a marcar profundamente o panorama mediático nacional. Com uma carreira iniciada na RTP no Porto — que descreve como uma verdadeira “escola de jornalismo” — o profissional acumulou experiência em alguns dos principais projetos informativos do país antes de aceitar o desafio de ajudar a fundar um canal de notícias totalmente novo.
A mudança aconteceu após vários anos de conversas com Octávio Ribeiro, antigo diretor do jornal Correio da Manhã. Ambos começaram a discutir a possibilidade de criar um canal informativo com uma abordagem diferente à televisão tradicional ainda na década de 1990, quando se cruzaram profissionalmente na TVI. As conversas, muitas vezes informais, giravam em torno da necessidade de tornar a informação mais próxima das pessoas, menos institucional e mais ágil.
Quando o projeto da CMTV recebeu finalmente “luz verde”, a decisão foi imediata. O jornalista deixou a TVI sem hesitar, apesar do risco de abandonar uma casa consolidada. Antes da saída, teve uma conversa marcante com José Alberto Carvalho, então diretor de informação da estação. O aviso foi direto: “Tens noção de que vais desaparecer?”. Apesar da dúvida momentânea, a convicção falou mais alto e o jornalista avançou para um projeto que, na altura, ainda era literalmente um estúdio em construção.
Nos primeiros tempos da CMTV, o trabalho foi intenso e exigente. O pivô ficou responsável por parte do desenho técnico do canal, desde a escolha das câmaras até à robotização do estúdio e à definição dos fluxos entre televisão, online e redação. A aposta na tecnologia e na automação foi inovadora em Portugal e trouxe desafios inesperados, como a adaptação das equipas a um sistema altamente automatizado, algo praticamente inédito nas redações televisivas nacionais.
Outro dos elementos que ajudou a consolidar o sucesso da CMTV foi a aposta em diretos permanentes e numa cobertura próxima das pessoas. A utilização de tecnologia 4G permitiu transmissões rápidas em qualquer ponto do país, reduzindo drasticamente o tempo necessário para entrar em direto. Essa estratégia, aliada à valorização de histórias locais, sotaques regionais e protagonistas anónimos, ajudou a criar uma identidade própria para o canal. Hoje, muitos analistas consideram que a criação da CMTV marcou um verdadeiro ponto de viragem na televisão portuguesa, estabelecendo um “antes e depois” na forma de fazer informação.






