Do Donbass em conflito ao sonho europeu, o guarda-redes ucraniano viveu uma vida de sacrifícios antes de brilhar de águia ao peito
Para quem acredita em histórias de superação, o que aconteceu na noite de terça-feira, 28 de janeiro, no Estádio da Luz, parece saído de um filme. Anatoliy Trubin, guarda-redes do Benfica, tornou-se o herói improvável ao marcar um golo decisivo nos minutos finais frente ao Real Madrid, garantindo o apuramento dos encarnados para a fase seguinte da Liga dos Campeões. Um momento épico que ganhou ainda mais significado quando se conhece o percurso de vida duro e marcado pela guerra do internacional ucraniano.
Natural da pequena aldeia de Spartak, perto de Donetsk, Trubin cresceu numa região profundamente afetada pelo conflito no Donbass. Foi a mãe quem o incentivou a jogar futebol desde muito cedo, levando-o aos treinos quando ainda era criança. Curiosamente, começou como guarda-redes quase por acaso: assumiu em entrevistas que era “gordinho” e acabou colocado na baliza. O que parecia um detalhe acabou por definir toda a sua carreira.
Depois de dar os primeiros passos no Azovstal, foi rapidamente recrutado pelo Shakhtar Donetsk, um dos maiores clubes do país, concretizando um sonho de infância. No entanto, o seu percurso ficou marcado pela invasão russa de 2014. A academia do Shakhtar foi transferida para perto de Kiev e Trubin, então com apenas 13 anos, foi obrigado a deixar a sua terra natal. O momento mais doloroso foi a separação da mãe, que teve dificuldades em abandonar Donetsk, ficando longe do filho durante vários anos.
Só em dezembro de 2020, já como jogador profissional, Trubin conseguiu finalmente reunir a família, trazendo a mãe e a irmã para viverem consigo em Kiev. No Shakhtar, trabalhou com vários treinadores portugueses, como Paulo Fonseca e Luís Castro, sendo este último decisivo para a sua afirmação. Com apenas 19 anos, tornou-se titular indiscutível e estreou-se na Liga dos Campeões… precisamente frente ao Real Madrid, adversário que agora voltou a marcar de forma histórica.
Em 2023, com a Ucrânia novamente mergulhada na guerra, Trubin saiu do país para reforçar o Benfica, carregando não apenas o talento, mas também o objetivo pessoal de ganhar estabilidade financeira para proteger e apoiar a família, sobretudo a mãe. Hoje, é o dono da baliza das águias e um símbolo de resiliência. Do Donbass em chamas ao relvado da Luz em êxtase, Anatoliy Trubin prova que, por vezes, os verdadeiros milagres constroem-se com coragem, sacrifício e fé nos sonhos.
SL Benfica VENCE o Real Madrid e GARANTE o APURAMENTO para o PLAYOFF com GOLO de Trubin (COM VÍDEO), Veja tudo aqui.
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