Cuca Roseta consagrada por França: a voz do fado distinguida como Chevalière
A fadista Cuca Roseta foi distinguida esta quarta-feira pela República Francesa com o título de Chevalière de l’Ordre des Arts et des Lettres, uma das mais elevadas condecorações culturais atribuídas pelo Ministério da Cultura de França.
A cerimónia decorreu na Embaixada de França em Lisboa e a distinção foi entregue pela embaixadora Hélène Farnaud-Defromont, em reconhecimento pelo contributo excecional da artista na promoção da cultura portuguesa, do fado e da língua portuguesa a nível internacional, bem como pelo seu papel ativo no diálogo artístico entre Portugal, França e o mundo.
Com uma carreira marcada por forte projeção internacional, Cuca Roseta tem levado o fado — Património Cultural Imaterial da Humanidade — a alguns dos mais prestigiados palcos mundiais, afirmando-se como uma das vozes portuguesas mais reconhecidas da atualidade.
A condecoração surge num momento particularmente simbólico do seu percurso artístico, coincidindo com o lançamento de “Douce France”, um álbum surpresa integralmente cantado em francês, que presta homenagem à canção francesa e aos seus grandes intérpretes. O disco ficará disponível em formato digital em todas as plataformas a partir de amanhã.
O convite para este projeto partiu de Jean-Jacques Lafaye, histórico agente mundial de Amália Rodrigues, que vê em Cuca Roseta um talento singular, referindo-se à fadista como “a neta inesperada de Amália”.
Visivelmente emocionada, Cuca Roseta afirmou que esta distinção representa “um enorme prestígio, não apenas para mim, mas também para Portugal”, sublinhando que o reconhecimento francês reforça o lugar do fado e da cultura portuguesa no mundo. “Quando vem do Ministério da Cultura de França, deixa-me profundamente honrada e feliz”, confessou.
A artista destacou ainda o papel do fado como embaixador cultural, lembrando que foi Amália Rodrigues quem abriu as portas do mundo a esta expressão musical. Ao longo dos últimos anos, Cuca Roseta tem atuado em dezenas de países, maioritariamente para públicos estrangeiros, sublinhando que, apesar da barreira linguística, o fado continua a tocar profundamente quem o escuta — especialmente em França, onde o seu repertório é frequentemente associado a “um fado com esperança”.
Para a fadista, o reconhecimento francês assume um significado especial, não só pela riqueza cultural de França, mas também pelo simbolismo histórico que o país representa na projeção internacional da cultura portuguesa. “É um reconhecimento diferente, vindo de um país com um nível cultural tão elevado, que sempre foi uma porta de entrada para o mundo”, afirmou, admitindo que esta foi, provavelmente, a distinção que a fez sentir-se “mais reconhecida” em toda a sua carreira.
Cuca Roseta salientou ainda a coincidência simbólica entre a atribuição da condecoração e o lançamento do álbum em francês, explicando que o projeto nasceu da vontade de “levar o sentimento do fado à canção francesa”, num verdadeiro exercício de cruzamento cultural.
A fadista recordou, emocionada, que a Ordem das Artes e das Letras já distinguiu figuras maiores da cultura portuguesa, como Amália Rodrigues e António Lobo Antunes, considerando uma honra imensa ver agora o seu nome associado a esse legado.
“Chegar a este ponto da minha carreira, com 15 anos de percurso, e receber esta distinção é uma felicidade enorme. Não tenho palavras”, concluiu.
A Ordem das Artes e das Letras distingue personalidades que se destacam pela criação artística ou pela influência decisiva na difusão da cultura, sendo o grau de Chevalière um reconhecimento oficial do Estado francês pelo impacto cultural, artístico e simbólico do percurso de Cuca Roseta.
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