Os mapas apontam para uma mudança no tempo durante o próximo mês
As mais recentes projeções do modelo europeu (ECMWF) apontam para uma possível intensificação da instabilidade atmosférica em várias zonas do sul da Europa durante o mês de agosto, incluindo Portugal. Caso esta tendência se confirme, poderão registar-se valores de precipitação acima da média em países como Portugal, Espanha e Itália, aumentando também a probabilidade de aguaceiros e trovoadas.
Os mapas sugerem ainda a formação de um possível “corredor de trovoadas”, sobretudo durante a segunda metade de agosto. Apesar disso, importa recordar que se trata de uma previsão de longo prazo, pelo que o cenário continua sujeito a alterações nas próximas atualizações dos modelos meteorológicos.
A eventual formação deste corredor poderá resultar da combinação de vários fatores atmosféricos. Entre os mais importantes está o comportamento do jato polar que, quando apresenta ondulações mais acentuadas, favorece o desenvolvimento de depressões isoladas em altitude, habitualmente conhecidas como “gotas frias”.
Estas depressões transportam ar mais frio nos níveis mais elevados da atmosfera e, ao entrarem em contacto com massas de ar muito quente junto à superfície, criam condições favoráveis ao desenvolvimento de fenómenos convectivos, frequentemente responsáveis por aguaceiros intensos e trovoadas. Nesta altura do ano, a intensa radiação solar aquece significativamente o solo na Península Ibérica, favorecendo a subida do ar quente e a formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical.
Em determinadas configurações da circulação atmosférica, estas depressões podem permanecer durante mais tempo sobre o sul da Europa, sobretudo quando persistem áreas de altas pressões em latitudes mais elevadas. Esse padrão favorece a manutenção de condições propícias à instabilidade durante vários dias consecutivos.
Outro elemento importante é a temperatura da superfície do mar. Tanto o Atlântico como, sobretudo, o Mediterrâneo apresentam nesta época do ano águas bastante quentes, fornecendo calor e humidade adicionais à atmosfera. Esse fornecimento de energia favorece o crescimento das nuvens convectivas e pode potenciar episódios de precipitação intensa, granizo, rajadas fortes de vento e trovoadas.
Segundo as previsões semanais do ECMWF, o sinal de precipitação acima da média torna-se mais evidente entre os dias 17 e 24 de agosto. Caso esta tendência se mantenha, as anomalias poderão abranger grande parte de Portugal continental, o arquipélago da Madeira, várias regiões de Espanha e algumas zonas de Itália.
Apesar destes indicadores, importa sublinhar que esta projeção diz respeito a um horizonte temporal superior a um mês e, por isso, apresenta um elevado grau de incerteza. Será importante acompanhar as próximas atualizações do modelo europeu, que permitirão perceber se esta tendência se consolida ou se acaba por perder força à medida que agosto se aproxima.






