Pivô do “Jornal da Noite” fala em líderes autocráticos, mudanças na ordem mundial e admite receio quanto ao que está por vir…
Habituada a entrar diariamente na casa dos portugueses para comunicar tanto as melhores como as piores notícias, Clara de Sousa voltou a dar que falar — desta vez fora do estúdio. Com mais de três décadas de carreira no jornalismo televisivo, a pivô não esconde a preocupação com o atual momento político e social, assumindo que vive uma fase particularmente desafiante enquanto profissional da informação.
As declarações foram feitas à margem da gala dos Prémios Cinco Estrelas, que decorreu na passada sexta-feira, dia 27. A jornalista começou por sublinhar que, ao longo dos seus mais de 30 anos de profissão, já testemunhou períodos de grande instabilidade mundial. No entanto, destaca uma diferença essencial: anteriormente, essa instabilidade surgia dentro de uma ordem global relativamente estável — algo que, na sua perspetiva, já não acontece atualmente. Para Clara de Sousa, o mundo atravessa uma transformação profunda, cujo desfecho permanece uma incógnita.
A pivô do Jornal da Noite, da SIC, foi mais longe e apontou o dedo ao crescimento de lideranças populistas e autocráticas. Na sua análise, quando governantes encaram o escrutínio jornalístico como um ataque pessoal e tentam silenciar perguntas incómodas, a qualidade da democracia fica inevitavelmente fragilizada. Uma posição firme que reforça o seu compromisso com a liberdade de imprensa e com o papel fiscalizador do jornalismo.
Apesar do cenário preocupante, Clara de Sousa não abdica do otimismo que diz pautar a sua personalidade. Recordando episódios difíceis que marcaram a história recente — seguidos de períodos de reconstrução e progresso —, acredita que, mesmo que a situação global possa agravar-se, haverá espaço para uma inversão positiva. Ainda assim, deixa um desejo claro: que o caminho até essa melhoria não seja marcado por perdas humanas ou conflitos prolongados.
No final, a jornalista reforçou a missão que continua a nortear o seu percurso profissional: informar e contribuir para uma opinião pública mais consciente. Reconhece, contudo, os limites desse trabalho num contexto em que nem todos estão dispostos a ouvir ou a ser convencidos. Ainda assim, mantém a esperança como motor essencial — uma mensagem que espelha a experiência, a lucidez e a responsabilidade de quem há mais de 30 anos é um dos rostos mais credíveis da informação em Portugal.






