Especialista aponta continuidade do padrão instável e só antevê mudança a partir da segunda metade do mês
O mau tempo está longe de se despedir de Portugal e fevereiro deverá arrancar com o mesmo cenário de chuva intensa, vento forte e agitação marítima que tem marcado as últimas semanas. Segundo a análise de um especialista da Meteored Portugal, o padrão atmosférico dominante no Atlântico Norte mantém-se inalterado, favorecendo a chegada sucessiva de frentes e tempestades atlânticas. Apesar de poderem surgir breves períodos de melhoria, estes serão apenas pausas momentâneas num contexto meteorológico maioritariamente instável.
A explicação está no comportamento do jato polar, que continua a circular mais a sul do que o habitual devido a um bloqueio de altas pressões entre a Gronelândia e a Escandinávia e à persistência de uma fase negativa da Oscilação do Atlântico Norte. Este posicionamento cria um verdadeiro “comboio” de tempestades direcionadas para a Península Ibérica. Ao interagirem com massas de ar húmidas vindas de latitudes tropicais, estas depressões transportam grandes quantidades de vapor de água, resultando em episódios de precipitação abundante, por vezes acompanhados de trovoada, granizo e queda de neve nas zonas mais elevadas.
O risco associado a esta sequência de sistemas frontais é elevado, sobretudo porque os solos já se encontram saturados após sucessivos dias de chuva. A combinação entre precipitação persistente, degelo da neve nas serras e possíveis rajadas de vento mais intensas aumenta a probabilidade de cheias, inundações rápidas, deslizamentos de terras e derrocadas. Mesmo tempestades consideradas “típicas” de inverno poderão ter impactos mais graves do que o normal, uma vez que o território continua fragilizado pelos estragos recentes.
Quanto a uma mudança mais consistente no estado do tempo, os cenários de previsão a médio e longo prazo apenas apontam sinais de possível alteração entre a terceira e a quarta semana de fevereiro. Nessa altura, o padrão atmosférico poderá evoluir para uma fase diferente, permitindo maior estabilidade. Ainda assim, os especialistas alertam que esta é apenas uma tendência e deve ser interpretada com cautela. Até lá, Portugal deverá manter-se sob a influência de um inverno ativo, com chuva e vento a continuarem no centro das atenções meteorológicas.






