Dois agentes da PSP são acusados de homicídio e sequestro após agressão fatal
Um caso perturbador está a chocar o país: dois agentes da PSP de Olhão foram formalmente acusados de homicídio qualificado e sequestro agravado na sequência da morte de Aissa Ait Aissa, um cidadão marroquino de 30 anos. A vítima foi espancada após ser algemada e levada com outro compatriota para um local ermo na zona de Pechão, acabando por falecer 19 dias depois no Hospital de Faro devido aos ferimentos graves que sofreu.
O incidente ocorreu na noite de 9 de março, quando Aissa e Hassan Ait Rahou entraram no supermercado Algartalhos, em Olhão, e abriram e consumiram produtos sem pagar. Confrontados pelos funcionários, abandonaram o local antes da chegada da PSP. Apesar de não haver queixa formal por parte da proprietária, os agentes Pedro B. e Jorge S., da esquadra local, localizaram os dois homens nas imediações e decidiram intervir de forma ilegal e violenta.
Segundo a acusação, os agentes algemaram os dois marroquinos e transportaram-nos num carro-patrulha até a um local isolado. Foi aí que Aissa Ait Aissa terá sido brutalmente agredido na cabeça e no corpo, sem qualquer possibilidade de defesa, enquanto se encontrava algemado com as mãos atrás das costas. O outro homem conseguiu sobreviver, mas Aissa sucumbiu aos ferimentos dias depois, levantando um caso de violência policial que tem mobilizado a atenção da comunicação social e das organizações de direitos humanos.
O advogado das famílias das vítimas, Bruno Mota, declarou que irá pedir a abertura de instrução e pretende que os polícias sejam também acusados por abuso de poder e omissão de auxílio. Este caso realça preocupações graves sobre o uso excessivo de força e a proteção de cidadãos imigrantes em Portugal, e tem sido alvo de críticas de várias entidades ligadas aos direitos humanos.
As autoridades estão agora a investigar detalhadamente a atuação dos agentes, recolhendo testemunhos, imagens de câmeras de segurança e outros elementos que possam esclarecer a dinâmica da agressão. A sociedade portuguesa acompanha com atenção, exigindo justiça e medidas para evitar que episódios tão violentos voltem a acontecer nas forças policiais.






