Subida de custos, margens em queda e apelo urgente às autoridades preocupam o cozinheiro português
Rui Paula, um dos chefs mais conceituados de Portugal, admite estar a atravessar uma das fases mais difíceis da sua carreira empresarial. Aos 57 anos, o cozinheiro vê os seus restaurantes a enfrentarem uma conjuntura económica cada vez mais adversa, marcada pelo aumento generalizado dos custos e pela redução acentuada das margens de lucro. Em declarações à TV Guia, o chef revelou que os tempos em que a restauração garantia retornos financeiros confortáveis parecem ter ficado para trás, sublinhando que o cenário atual exige “muito juizinho” por parte de quem gere negócios no setor.
O responsável por espaços emblemáticos como o DOP, no Porto, recorda que a recente renovação do restaurante implicou investimentos avultados, que tardam agora em ser compensados. “Gastei muito dinheiro, fiz muitos investimentos e não está a vir o retorno que vinha”, confessou, explicando que a escalada dos preços da energia, das matérias-primas e dos serviços tem absorvido praticamente toda a margem de lucro. Para Rui Paula, o aspeto mais alarmante é precisamente este: trabalhar cada vez mais para ganhar cada vez menos.
Apesar da pressão financeira, o chef garante que não tem refletido esses aumentos no preço final cobrado aos clientes. A razão é simples: subir os valores dos menus poderia afastar o público. “Seria um suicídio”, afirma, reconhecendo que comer fora já representa um esforço significativo para muitas famílias. Assim, os restaurantes acabam por suportar internamente os custos acrescidos, entrando numa encruzilhada perigosa entre manter preços competitivos e assegurar a sobrevivência do negócio.
Perante este cenário, Rui Paula deixa um alerta sério e apela à intervenção das autoridades. Na sua visão, sem medidas concretas de apoio ao setor da restauração, o futuro será sombrio. “Se nada for feito, muitos mais restaurantes irão fechar nos próximos tempos”, avisa, reforçando que a situação é insustentável a médio prazo. O chef considera que está em causa não só a viabilidade de projetos individuais, mas também a preservação de um setor fundamental para a economia e para a identidade gastronómica do país.






