Vereadora de Vagos foi morta pelo filho de 14 anos; tribunal destaca frieza do jovem e ausência de arrependimento
Já é conhecida a sentença do caso que chocou o país: o homicídio de Susana Gravato, ocorrido a 21 de outubro de 2025, no concelho de Vagos. A autarca foi morta a tiro pelo próprio filho, então com 14 anos, num crime que deixou a comunidade em estado de choque e levantou profundas questões sobre saúde mental e violência juvenil.
O menor foi julgado à porta fechada e condenado a três anos de internamento em regime fechado, uma medida prevista na lei para jovens em idade inimputável. A decisão poderá ser revista de seis em seis meses, tendo em conta a evolução do comportamento e o acompanhamento psicológico do jovem.
Durante o julgamento, foram revelados pormenores perturbadores sobre a atitude do arguido. Segundo a jornalista Leonor Lazera Araújo, o tribunal considerou que, apesar de ter confessado o crime, o jovem não demonstrou arrependimento. Foi ainda descrito como alguém que revelou uma “frieza muito grande” perante a morte da mãe, não evidenciando emoção nem na interação com a restante família.
Um dos momentos mais marcantes do processo foi a revelação da frase dita por Susana Gravato ao filho após o primeiro disparo. Mesmo ferida, a mãe terá tentado acalmar o jovem, dizendo “está tudo bem, tem calma”, antes de este efetuar um segundo disparo fatal. Este detalhe reforça a brutalidade do crime e a dimensão trágica da relação entre mãe e filho.
Outros elementos conhecidos indicam que, na manhã do crime, o jovem manteve uma aparente normalidade, chegando a dar um beijo na testa da mãe antes de sair. Terá ainda combinado encontrar-se com um amigo mais tarde, comportamento que contrasta com a violência que viria a cometer horas depois. O caso continua a gerar forte impacto na sociedade portuguesa, tanto pela sua gravidade como pelas questões humanas e psicológicas que levanta.





