Gerry McCann denuncia perseguição mediática, pressão psicológica e pede mais regulação da imprensa britânica
O desaparecimento de Madeleine McCann voltou a estar no centro da atenção mediática após Gerry McCann, pai da menina britânica desaparecida na Praia da Luz, no Algarve, em 2007, ter feito duras críticas à atuação de alguns órgãos de comunicação social. Em entrevista à BBC Radio 4, esta quarta-feira, Gerry afirmou que se sentiu “sufocado e perseguido” por vários media britânicos, acusando-os de terem interferido repetidamente na investigação ao desaparecimento da filha. Segundo o pai de Maddie, a cobertura excessiva e sensacionalista acabou por causar danos profundos à sua família e ao próprio processo policial.
Gerry McCann descreveu um período prolongado de enorme pressão psicológica, marcado por manchetes enganadoras, teorias inventadas e uma perseguição constante por parte de jornalistas e fotógrafos. “Sofremos com o interesse constante e manchetes enganosas durante 15 meses ou mais”, recordou, revelando que houve momentos em que se sentiu a “afundar” emocionalmente. O pai de Madeleine relatou ainda episódios de intimidação diária, com profissionais da comunicação social à porta de casa, fotógrafos a apontarem lentes para o carro da família e os dois filhos mais novos visivelmente assustados no banco de trás.
Para Gerry McCann, esta exposição excessiva não só destruiu emocionalmente a família, como prejudicou seriamente o trabalho das autoridades. O pai da criança acredita que a pressão mediática e a divulgação de especulações não verificadas desviaram recursos e atenções numa fase crucial das buscas. “Acredito que interferiram repetidamente na investigação”, afirmou, defendendo que a atuação dos media criou ruído, confusão e obstáculos ao esclarecimento do caso.
Gerry e Kate McCann integram ainda um grupo de mais de 30 signatários que enviaram uma carta ao primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, a pedir o relançamento da segunda fase do Inquérito Leveson, cancelada em 2018, que visava reforçar a regulação da imprensa no Reino Unido. Quase 18 anos depois do desaparecimento de Madeleine McCann, ocorrido na noite de 3 de maio de 2007, enquanto dormia num apartamento turístico, o caso continua sem respostas e mantém-se como um dos mais mediáticos e angustiantes mistérios criminais do mundo.






