Entenda os detalhes da brutalidade que parou o Alto Vale
Após uma década de espera por justiça, a manhã desta terça-feira (12) marca o início de um dos capítulos mais dolorosos da história judicial de Santa Catarina. Em Florianópolis, o homem acusado de arquitetar o estupro e o assassinato brutal de Ana Beatriz Schelter, de apenas 12 anos, enfrenta finalmente o júri popular. O réu, que era uma figura de confiança e frequentava a mesma igreja da família da vítima, foi preso preventivamente apenas em 2020. Agora, responde por estupro de vulnerável e homicídio qualificado, enfrentando uma pena que pode ultrapassar os 60 anos de reclusão, num desfecho que promete mobilizar a opinião pública e as redes sociais.
O crime, ocorrido em março de 2014, carrega requintes de crueldade que ainda hoje geram revolta. Ana Beatriz desapareceu no curto trajeto de dois quilómetros entre a sua casa e a escola, em Rio do Sul. Segundo as investigações do Ministério Público (MPSC), a menina aceitou uma boleia do principal acusado por já o conhecer do convívio religioso. No entanto, o que deveria ser um gesto de cortesia transformou-se num pesadelo: a vítima foi levada para um local isolado, onde foi violentada sexualmente. Os dados oficiais revelam que a causa da morte foi uma hemorragia severa decorrente das agressões, seguida de asfixia por esganadura para silenciar o crime.
A estratégia dos criminosos para despistar as autoridades foi igualmente macabra e calculada. Após a morte da criança, o mentor contou com o auxílio de dois comparsas para ocultar o cadáver dentro do baú de um camião, numa empresa de banheiros químicos às margens da BR-470. Lá, montaram uma cena de simulação de suicídio, colocando uma corda no pescoço de Ana Beatriz. Ironicamente, o responsável por esconder o corpo foi quem chamou a polícia, tentando passar-se por uma testemunha ocular. Enquanto o principal executor vai a júri agora, os outros dois envolvidos têm o seu julgamento marcado para o dia 25 de junho, também na capital catarinense.
A transferência do julgamento de Rio do Sul para Florianópolis foi uma decisão estratégica do Tribunal de Justiça (TJSC) para garantir a imparcialidade do processo. A defesa de um dos réus alegou que a comoção social no Alto Vale era tão intensa que poderia influenciar o veredito dos jurados locais. Dez anos depois, a memória de Ana Beatriz — cujas últimas imagens com vida foram captadas por câmaras de monitoramento perto da sua casa — continua a ser um símbolo da luta contra a impunidade. Este julgamento não é apenas um trâmite jurídico, mas o encerramento de um ciclo de incertezas para uma família que viu a sua rotina ser destruída pela traição de alguém próximo.






