Casal russo residente em Lisboa ficou encurralado durante subida da maré entre as praias da Adraga e do Cavalo
Um casal russo, residente em Lisboa, viveu momentos de grande aflição ao ficar encurralado durante cerca de 12 horas numa escarpa entre as praias da Adraga e do Cavalo, no concelho de Sintra. A aventura imprudente começou por volta das 20h00 de sexta-feira, quando o casal decidiu explorar uma zona rochosa da costa. Sem dar conta da subida da maré e da dificuldade do terreno, acabaram isolados durante a noite, sem possibilidade de regresso seguro.
O resgate só viria a acontecer na manhã de sábado, após testemunhas presenciarem o casal em apuros e alertarem as autoridades. A Autoridade Marítima Nacional (AMN) confirmou ao Correio da Manhã que o casal foi encontrado sobre uma pedra, onde passaram a noite inteira, sem mantimentos e com acesso limitado a ajuda. “Perderam a noção do tempo e não se perceberam da subida da maré”, revelou fonte oficial da AMN, sublinhando os perigos de desconhecer ou subestimar as características do litoral português.
As imagens do resgate, divulgadas no YouTube e aparentemente captadas por drone, rapidamente se tornaram virais. O vídeo mostra o papel essencial de um grupo de surfistas, que, enfrentando uma ondulação considerável, colaboraram com as autoridades marítimas para alcançar e auxiliar o casal. O esforço coletivo e a coordenação entre civis e profissionais foram determinantes para o desfecho positivo da operação.
No local estiveram também os Bombeiros Voluntários de Almocageme, mas, surpreendentemente, o casal recusou transporte para o hospital. Após o resgate, preferiram regressar a casa pelos próprios meios, visivelmente abalados mas sem ferimentos de maior. As autoridades reforçam, no entanto, que em casos semelhantes o ideal será sempre submeter-se a avaliação médica preventiva, tendo em conta os riscos de hipotermia ou exaustão.
Este incidente serve de alerta para todos os que exploram zonas costeiras de difícil acesso, especialmente durante o verão, quando a curiosidade e o turismo aumentam. A subida rápida das marés e a instabilidade das falésias podem transformar um passeio em tragédia. A AMN recomenda sempre a consulta das previsões marítimas, atenção às sinalizações e, acima de tudo, bom senso na proximidade do mar. Felizmente, neste caso, a história teve um final feliz — em grande parte graças à solidariedade e coragem de surfistas locais.





