Channel 4 suspende temporadas anteriores e ordena revisão ao bem-estar dos participantes
A versão britânica de Married at First Sight UK, conhecida em Portugal como Casados à Primeira Vista, foi retirada das plataformas de streaming após surgirem denúncias extremamente graves feitas por antigas participantes. Duas mulheres alegam ter sido violadas pelos respetivos parceiros no programa, enquanto uma terceira denunciou ter sido sujeita a um ato sexual não consentido.
Segundo informações avançadas numa das alegadas vítimas relatou ainda ter sido ameaçada com ácido e está a ponderar avançar judicialmente. Outra participante mostrou-se indignada pelo facto de o episódio em que surge ao lado do alegado agressor ter continuado a ser exibido na televisão britânica, apesar das acusações. O caso está a provocar forte impacto mediático e a reacender o debate sobre os limites e responsabilidades dos reality shows.
Em resposta à polémica, o anunciou a remoção de todas as temporadas anteriores de Married at First Sight UK das suas plataformas digitais, bem como a eliminação dos perfis dos participantes das redes sociais. Em comunicado, o canal confirmou ter solicitado uma revisão abrangente das políticas de proteção e acompanhamento psicológico dos concorrentes, sublinhando que, devido à natureza sensível das alegações, não prestará mais comentários públicos.
A única ex-participante que aceitou ser identificada foi Shona Manderson, que participou na edição de 2023 e acusou Bradley Skelly de má conduta sexual. O ex-concorrente negou todas as acusações. O caso aumentou a pressão sobre a produção e sobre o canal, que agora enfrenta duras críticas pela forma como acompanha e protege os participantes.
O escândalo volta a colocar sob escrutínio o impacto psicológico dos reality shows, recordando episódios trágicos associados a outros formatos britânicos, como Love Island, que ficou marcado pelas mortes de Sophie Gradon, Mike Thalassitis e da apresentadora Caroline Flack. Em Portugal, casos como o de Zé Maria também contribuíram para um maior debate sobre a responsabilidade das produtoras na salvaguarda da saúde mental dos participantes.






