Tendências meteorológicas apontam para cenário instável no Norte, mais ameno no Sul e risco de cheias a manter-se elevado
A pergunta repete-se de Norte a Sul: como vai estar o tempo no Carnaval em Portugal? A cerca de dez dias das festividades, as mais recentes tendências da previsão meteorológica para o Carnaval 2026 mostram um cenário que, apesar de ligeiramente diferente do padrão das últimas semanas, continua longe de ser totalmente estável. Depois dos fortes temporais que marcaram o início de fevereiro, muitos festejos já foram cancelados ou repensados, mas a análise dos modelos meteorológicos indica agora maior influência do anticiclone — ainda que com várias nuances importantes.
O elemento mais consensual entre os principais modelos, como o ECMWF e o GFS, é o reforço do anticiclone dos Açores, que deverá estender-se em crista até à Península Ibérica. Esta configuração favorece mais períodos de céu pouco nublado e subida das temperaturas, mas não garante tempo seco generalizado. Pelo contrário, o modelo europeu continua a indicar probabilidades de precipitação entre 30% e 80%, variando consoante a região. A incerteza mantém-se elevada, algo normal em previsões a 10 dias (cerca de 240 horas), ainda consideradas longo prazo em meteorologia.
No que toca à distribuição da chuva, o Norte de Portugal surge como a área mais exposta. Quanto mais a norte, maior a probabilidade de precipitação, sobretudo se as depressões que circulam no Atlântico Norte conseguirem descer o suficiente para afetar o território. Já no Centro e Sul, especialmente a sul do sistema montanhoso Montejunto–Estrela, o risco é menor, mas não inexistente. Ou seja, falar em Carnaval totalmente seco é, para já, precipitado. Nos Açores, o cenário é igualmente de “fronteira”, com probabilidade de chuva na ordem dos 40% a 50%, enquanto a Madeira é, até ao momento, a região com perspetivas mais favoráveis, sob influência direta do anticiclone, com bastante sol e tempo geralmente agradável.
A temperatura no Carnaval 2026 é o parâmetro mais consistente entre as previsões. Esperam-se valores acima da média climatológica, embora sem calor fora de época. Em alguns locais, os termómetros poderão aproximar-se dos 20 °C, especialmente em zonas do Sul e do litoral. Este ar mais ameno terá, contudo, uma consequência importante: degelo acelerado nas montanhas da Península Ibérica, onde ainda existe grande acumulação de neve. Este fator junta-se à chuva prevista nos dias anteriores e aumenta a pressão sobre os rios e barragens.
Aliás, a atenção das autoridades mantém-se centrada no risco de cheias em Portugal Continental. Entre os dias 9/10 e 14/15 de fevereiro, prevê-se um período chuvoso significativo, com um novo episódio de grande transporte de humidade — um possível “rio atmosférico” — a afetar sobretudo o Norte. As bacias hidrográficas do Douro, Minho, Lima, Cávado, Ave, Vouga e Mondego poderão ser as mais impactadas, não apenas pela precipitação, mas também pelo degelo rápido. Importa ainda clarificar que não há indicação de um novo ciclone para terça-feira, apesar de alguma informação que circulou, embora existam sinais a acompanhar para sexta-feira, dia 13, que poderão trazer um agravamento — algo que os próximos dias ajudarão a confirmar.








