Conhecido pelos portugueses como ‘Fininho’, o ator e comediante tornou-se uma das caras mais populares da televisão nos anos 80, mas acabou por abandonar os ecrãs
Carlos Miguel, conhecido pelo público como ‘Fininho’, foi uma das figuras mais populares da televisão portuguesa durante os anos 80. O ator e comediante ganhou notoriedade através das suas personagens no concurso ‘1,2,3’, da RTP, apresentado por Carlos Cruz, mas a carreira televisiva terminou de forma abrupta. Morreu há cinco anos, aos 77 anos, depois de passar as últimas décadas da vida afastado dos grandes palcos e dos ecrãs.
Numa entrevista concedida em 2006 à RTP Memória, Carlos Miguel recordou os tempos do famoso concurso e revelou que a experiência esteve longe de ser fácil. Segundo contou, chegou a interpretar 48 personagens e, em alguns programas, fazia duas diferentes. O ator afirmou ainda que sentiu que Carlos Cruz passou a ter uma atitude diferente consigo depois de um casal de concorrentes ter dito que tinha ido ao programa para o ver. Carlos Miguel alegou que passou a ser chamado muito cedo para as gravações e, por vezes, esperava até à noite para trabalhar. Acabaria por descobrir pela imprensa que não iria continuar no programa.
O afastamento da televisão ganhou outra dimensão em 1998, quando lhe foi diagnosticado um cancro nas cordas vocais. Esse foi o primeiro de três diagnósticos de cancro que enfrentou. Carlos Miguel retirou-se então para Granho, em Salvaterra de Magos, onde viveu com a mulher, Maria Zélia Arthur. Durante cerca de duas décadas, dedicou-se à escrita e à pintura e colocou em palavras muitas das mágoas que carregava na autobiografia ‘Filho de um Teatro Menor’.
Até ao fim, Carlos Miguel nunca escondeu a revolta que sentia pelo rumo que a sua carreira tomou. “O cancro foi a minha morte artística”, afirmou, explicando que se revoltou “com o país”, “comigo próprio” e “com as pessoas”. O antigo ‘Fininho’ dizia sentir uma profunda tristeza pelo que considerava ser a falta de reconhecimento do teatro em Portugal. Morreu no Hospital de Santarém, aos 77 anos, depois de anos marcados pelo isolamento e pela doença, deixando para trás uma carreira que marcou a televisão e o teatro de revista portugueses.






