Antigo líder do Sporting fala de humilhação, depressão profunda e deixa novas acusações a Jorge Jesus
Bruno de Carvalho voltou a estar no centro das atenções ao recordar, numa conversa emotiva, os quatro dias que passou detido após o polémico caso de Alcochete. O antigo presidente do Sporting descreveu condições que classificou como “desumanas”, revelando que esteve numa cela com apenas dois metros quadrados, sem sanita, “apenas um buraco no chão cheio de cocó”, sem colchão e sem direito a banho até ao último dia. Um testemunho arrepiante que rapidamente incendiou as redes sociais e reabriu feridas antigas no universo leonino.
O ex-dirigente associa a sua queda ao ataque à Academia de Alcochete, em maio de 2018, episódio que considera ter sido a “tempestade perfeita” para a sua destruição pública e política. Bruno de Carvalho garante que nunca teve conhecimento prévio das agressões e rejeita categoricamente o rótulo de “mandante” ou “autor moral”. Segundo o próprio, foi transformado no principal culpado num processo que, sublinha, acabaria por ter contornos diferentes em tribunal, reforçando que foi o maior prejudicado com toda a situação.
Grande parte da revolta continua, contudo, direcionada a Jorge Jesus. O antigo presidente não poupou críticas ao treinador, acusando-o de manipulação e hipocrisia, e de ter contribuído para um clima interno de rutura nos últimos tempos da sua liderança. Bruno de Carvalho afirma que determinadas decisões dentro do balneário criaram divisões e alimentaram tensões que culminariam num dos períodos mais conturbados da história recente do clube de Alvalade.
O momento da detenção é descrito como particularmente traumático. O empresário recorda a chegada da polícia a casa, perante a filha, e fala de um cenário que compara a “um filme de terror”. A humilhação, diz, prolongou-se até ao banho autorizado apenas antes de ir a julgamento, numa situação que envolveu forte aparato policial e que desencadeou um ataque de pânico. “Foi a humilhação máxima do ser humano”, desabafou, revelando ainda que sofreu uma depressão profunda após todo o processo judicial e mediático.
Apesar das mágoas e das contas por ajustar, Bruno de Carvalho admite acreditar numa segunda oportunidade no Sporting. O antigo líder leonino garante que gostaria de voltar a ser sócio com todos os direitos e não fecha a porta a um eventual regresso a Alvalade. Entre acusações, memórias dolorosas e promessas de resiliência, o ex-presidente mostra que o seu nome continua inevitavelmente ligado a um dos capítulos mais polémicos do futebol português.






