Criança terá chamado pela irmã mais velha durante o período em que os dois irmãos ficaram sozinhos em casa
Uma situação de grande preocupação em Braga está a gerar indignação e preocupação, depois de dois irmãos, de 3 e 15 anos, terem sido encontrados sozinhos em casa durante cinco dias. O alerta surgiu na madrugada de quarta-feira, quando vizinhos ouviram o menino de 3 anos a chorar e chamaram a PSP. As autoridades deslocaram-se ao prédio e acabaram por encontrar a criança no interior da habitação, numa situação que levantou de imediato questões sobre as condições em que os dois menores estavam a viver.
De acordo com as informações divulgadas, a criança de 3 anos e a irmã adolescente terão permanecido sozinhas durante vários dias, enquanto a mãe se encontrava ausente. A jovem de 15 anos mantinha contacto com a progenitora através do WhatsApp e, quando regressou a casa, explicou que tinha saído para procurar comida. Segundo o relato divulgado, a adolescente terá ido a bombas de gasolina, mas encontrou-as fechadas, acabando por regressar à habitação. Algumas horas depois, a mãe foi localizada pelas autoridades.
O caso foi entretanto comentado no programa Casa Feliz, da SIC, esta quinta-feira, 20 de agosto, onde Mauro Paulino, psicólogo clínico e forense, analisou alguns dos pormenores conhecidos. Um dos aspetos que mais chamou a atenção do especialista foi precisamente o comportamento do menino perante a ausência da mãe. A criança terá gritado a chamar pela irmã mais velha, um detalhe que, para o psicólogo, pode revelar a importância que a adolescente assumia naquele momento para o irmão mais novo.
Mauro Paulino destacou, assim, a possibilidade de existir uma forte relação de segurança e proteção entre os dois irmãos. “As próprias notícias dão conta que a criança gritava a chamar pela irmã”, explicou o psicólogo, considerando que tal comportamento permite presumir que a adolescente representava uma figura de cuidado e de vínculo emocional para o menino. Apesar da diferença de idades, a jovem poderá ter assumido, naquela circunstância, um papel de referência para o irmão, sobretudo perante a ausência prolongada da mãe.
Na sequência da intervenção das autoridades, os dois irmãos foram encaminhados para uma instituição, ficando a situação sob acompanhamento das entidades competentes. O caso de Braga levanta agora várias questões relacionadas com a proteção das crianças e com as circunstâncias que levaram os dois menores a permanecerem sozinhos durante vários dias. Enquanto as autoridades procuram esclarecer todos os contornos da situação, a ligação entre os dois irmãos surge como um dos aspetos mais marcantes do caso, sobretudo pelo papel que a adolescente terá desempenhado na segurança e no bem-estar do menino de 3 anos.






