Surto associado ao cruzeiro MV Hondius continua a preocupar Europa, apesar de OMS considerar risco global baixo
O aumento de casos de hantavírus na Europa está a gerar crescente preocupação entre as autoridades de saúde internacionais. Um dia depois de França confirmar o primeiro caso relacionado com o surto do navio MV Hondius, a ministra da Saúde francesa, Stéphanie Rist, admitiu no Parlamento que ainda existem muitas dúvidas sobre o comportamento do vírus, incluindo a possibilidade de mutações.
Segundo a governante francesa, apesar de o hantavírus ser conhecido desde os anos 90, ainda não existe informação suficiente para excluir totalmente alterações genéticas na variante Andes (ANDV), associada ao atual surto. “Não temos ainda a sequenciação completa do vírus”, afirmou, explicando que as autoridades continuam a acompanhar a evolução da situação com cautela. O alerta surge numa altura em que uma mulher francesa infetada, que seguia a bordo do cruzeiro, permanece internada em estado grave nos cuidados intensivos.
Entretanto, em França, vários passageiros continuam sob vigilância apertada, incluindo cinco cidadãos colocados em isolamento rigoroso em Paris. Também em Espanha foi confirmado um novo caso entre passageiros que permanecem em quarentena num hospital de Madrid. Apesar disso, o Governo espanhol defendeu a operação de desembarque realizada em Tenerife, considerando que seguiu os protocolos internacionais definidos pela Organização Mundial da Saúde e pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças.
A Organização Mundial da Saúde mantém, para já, a avaliação de risco global como baixa, embora admita que possam surgir novos casos devido ao longo período de incubação do vírus. O diretor-geral Tedros Ghebreyesus confirmou nove infeções, dois casos prováveis e três mortes relacionadas com o surto no MV Hondius, reforçando ainda assim que não existem sinais de uma disseminação em larga escala.
Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde publicou novas orientações destinadas aos profissionais de saúde para lidar com eventuais casos suspeitos. A DGS sublinha que o risco no país continua “muito baixo” e que não existem medidas preventivas adicionais para a população. Ainda assim, as autoridades recomendam atenção a sintomas como febre, dores musculares, náuseas, vómitos, tosse ou dificuldade respiratória em pessoas que tenham estado em contacto com passageiros do cruzeiro ou em meios de transporte associados ao surto.






