Bombardeamento noturno no campo de refugiados de Khan Younis agrava crise humanitária e reacende apelos da ONU por ajuda urgente à população palestiniana
Um ataque aéreo israelita ocorrido durante a madrugada deste sábado, 3 de maio, provocou a morte de 11 pessoas, entre elas três crianças, no campo de refugiados de Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza. A informação foi avançada pela Defesa Civil do enclave palestiniano, que detalhou que o ataque teve lugar por volta das 03h00 (hora local), tendo como alvo a casa de uma família. Segundo o porta-voz da organização de primeiros socorros, Mahmoud Bassal, entre as vítimas encontram-se uma menina, um menino de um ano e um bebé de apenas um mês.
A ofensiva aérea ainda não foi comentada oficialmente pelo exército israelita, contactado pela agência France-Presse (AFP). No entanto, trata-se de mais um episódio da violenta retaliação israelita que se intensificou desde 18 de março, quando foi encerrada uma trégua de dois meses com o movimento Hamas. Desde então, os bombardeamentos têm sido constantes, contribuindo para um rasto de destruição e um número de vítimas civis cada vez mais alarmante.
O conflito, que teve início a 7 de outubro de 2023 com um ataque surpresa do Hamas no sul de Israel, já causou cerca de 1.200 mortos israelitas e resultou no sequestro de 251 pessoas, das quais 59 continuam em cativeiro. Em resposta, Israel lançou uma ofensiva militar massiva, que já resultou em mais de 52.400 mortos palestinianos, além da destruição generalizada de infraestrutura civil em Gaza, incluindo hospitais, escolas e residências.
A crise humanitária agravou-se de forma dramática com o bloqueio total imposto por Israel à Faixa de Gaza desde 2 de março. Telavive acusa o Hamas de desviar a ajuda humanitária, justificando a suspensão do auxílio como forma de pressão para a libertação dos reféns. Contudo, organizações internacionais, como a ONU e a UNRWA, têm condenado esta decisão, apelidando-a de “punição coletiva” à população civil, especialmente vulnerável devido à escassez de alimentos, água potável e cuidados médicos básicos.
Philippe Lazzarini, comissário-geral da UNRWA, afirmou esta sexta-feira que “crianças, mulheres, idosos e homens civis estão a ser punidos coletivamente por terem nascido e viverem em Gaza”. Reiterou ainda o apelo urgente ao governo israelita para reabrir os corredores de ajuda humanitária, alertando para uma iminente catástrofe humanitária de proporções irreversíveis. Com o número de mortos a aumentar diariamente, cresce também a pressão internacional por uma solução imediata que garanta a proteção dos civis e o acesso irrestrito à ajuda.





