Em entrevista a Duarte Siopa, a icónica jornalista de 72 anos critica a falta de respeito da estação pública e confessa que passou meses “sem fazer nada”
Dina Aguiar decidiu não guardar mais o que lhe ia na alma. A jornalista, que foi o rosto da proximidade em Portugal durante quase meio século, é a convidada de honra do programa “Siopa Convida” deste domingo, 18 de janeiro, na Correio da Manhã Rádio. Numa conversa que promete fazer estremecer os corredores da Avenida Marechal Gomes da Costa, Dina Aguiar abriu o livro sobre o fim abrupto da sua ligação à RTP.
Após 47 anos de serviço e duas décadas à frente do “Portugal em Direto”, a saída da pivô foi tudo menos o “conto de fadas” que o público imaginava. Sem papas na língua, Dina Aguiar assume que a estação pública falhou na forma como geriu o seu afastamento.
“Fiquei lá seis meses sem fazer nada”
A revelação mais chocante da entrevista prende-se com os últimos meses de contrato da jornalista. Dina Aguiar expôs um cenário de aparente isolamento profissional nos bastidores da RTP, revelando que foi “encostada” pela direção de informação liderada por Vítor Gonçalves.
“Podíamos ter feito uma saída gradual… durante seis meses fiquei lá sem fazer nada”, confessou a Duarte Siopa. “Nesse tempo podíamos ter feito a transição, nem que eu fizesse o jornal com outra pessoa, de modo a que as pessoas em casa entendessem que eu estava a passar o testemunho.”
Para a jornalista, esta gestão foi uma falha grave de protocolo: “A forma como saí podia ter sido de outra forma, por respeito não só a mim mas ao público”, atirou.
Mágoa vs. Respeito
Embora afirme que não guarda mágoas pessoais da decisão do diretor, a desilusão com o processo é evidente. Dina Aguiar defende que uma carreira com quase cinco décadas merecia uma celebração e uma despedida planeada, e não um desaparecimento silencioso que deixou os telespectadores confusos.
O “renascer” fora da televisão nacional
Mas desengane-se quem pensa que Dina Aguiar se deu por vencida. A jornalista aproveitou o microfone da CM Rádio para lançar uma “bomba” sobre o seu futuro. Já tem um novo projeto jornalístico em mãos e a resposta será afirmativa.
No entanto, há um detalhe que marca uma rutura total com o passado: “não é televisão nacional”. Com esta afirmação, Dina Aguiar deixa no ar se o seu regresso passará pelo mundo digital, pelo jornalismo internacional ou por um novo formato inovador, provando que, aos 72 anos, a sua voz continua mais ativa do que nunca.






