Líder do Chega reafirma compromisso com a honestidade e promete “não desistir da verdade até ao fim” perante inquéritos em curso
Na passada quarta-feira, o presidente do Chega, André Ventura, provocou forte repercussão nas redes sociais ao partilhar um post no Instagram onde afirma estar disposto a enfrentar a prisão para defender as suas convicções. “Irei preso, se necessário. Confio na justiça portuguesa. Mas não deixarei de dizer a verdade. Não desistirei da verdade até ao fim! Portugal tem de mudar!”, escreveu o político, numa declaração que reacendeu o debate em torno do seu estilo confrontacional e dos inquéritos abertos pelo Ministério Público.
Ventura tem estado sob investigação por comentários considerados discriminatórios, nomeadamente em relação à comunidade cigana, mas insiste que as queixas contra si são tentativas de silenciar a sua voz política. No mesmo post, lembrou que já respondeu a intimações judiciais em várias ocasiões e garantiu que “nunca fugiu ao compromisso de prestar esclarecimentos às autoridades”. Afirmou que a sua missão é “dizer o que muitos não querem ouvir” e que não recuará face a eventuais processos.
O contexto político agrava a polémica. Dias antes, Ventura tinha anunciado a criação de um “governo sombra” do Chega, composto por independentes, para fiscalizar as ações do executivo em áreas como saúde e economia. A declaração de que “Portugal tem de mudar” surge, assim, alinhada com o posicionamento do Chega como força de oposição ativa, prestes a assumir o estatuto de segunda maior bancada parlamentar.
Nas redes sociais, a mensagem dividiu seguidores e adversários. Enquanto apoiantes elogiaram a coragem de Ventura e o pediram para persistir na “verdade incómoda”, críticos consideraram o post um apelo irresponsável que coloca em causa a seriedade dos órgãos de justiça. Vários comentadores sublinharam que, ao exibir tão abertamente a disposição para ser preso, Ventura corre o risco de alimentar ainda mais o discurso de “perseguição política”.
Em entrevistas recentes, o líder do Chega tinha apontado para a necessidade de renovar a classe política e endurecer o combate à burocracia e ao “compadrio partidário”. Com esta sua última mensagem, André Ventura reforça a narrativa de que está disposto a pagar o preço — mesmo a liberdade — para não abandonar a “luta pela verdade”. Resta saber como a justiça portuguesa reagirá a este novo desaforo e que impacto terá na estratégia do Chega rumo às próximas eleições.






