- André Ventura, líder do Chega, recuou na intenção de se candidatar à Presidência da República em janeiro de 2026, uma possibilidade que havia sido anunciada antes da crise política que originou eleições legislativas antecipadas
Durante uma entrevista conduzida por José Alberto Carvalho, Ventura afirmou que os portugueses lhe deram “um voto de confiança para ser primeiro-ministro”, e que, por isso, está focado em liderar a oposição.
Embora não tenha descartado completamente uma futura candidatura presidencial, sublinhou que essa decisão será tomada em conjunto com os órgãos do partido, reforçando que o seu objetivo atual é preparar o Chega para governar. Ventura prometeu, nas próximas semanas, apresentar um “governo sombra” com independentes e especialistas da sociedade civil em áreas como saúde, habitação e economia.
Caso das queixas por incitamento ao ódio
Ventura foi também confrontado com o inquérito do Ministério Público sobre vídeos em que critica a comunidade cigana. A queixa partiu de dez associações, incluindo a Associação Letras Nómadas, que acusam o político de incitamento ao ódio. Ventura respondeu confiando na Justiça e rejeitou qualquer intenção de retirar direitos à comunidade cigana, mas insistiu que “não podem ter mais direitos do que os outros”.
Sobre episódios de saúde e sensação de envenenamento
O líder do Chega revelou que os episódios de saúde ocorridos durante a campanha foram dos momentos mais difíceis da sua vida. Referiu ainda que, num dos casos, chegou a temer ter sido envenenado após beber água num comício em Tavira, embora os exames médicos não tenham confirmado essa hipótese.
Visão sobre Gaza e Israel
No plano internacional, Ventura comentou a crise humanitária em Gaza, criticando o ocidente por se demitir de agir. Apesar de defender Israel como “a única democracia da região”, advertiu que isso “não é carta branca para a violação dos direitos humanos”, sublinhando que o direito humanitário deve prevalecer.
Com estas declarações, Ventura procura recentrar a sua imagem como alternativa de governo e não apenas como figura disruptiva. O distanciamento da corrida presidencial parece ser uma estratégia para consolidar o papel do Chega como uma força de oposição estruturada, capaz de aspirar ao poder executivo em futuras eleições.






