Diretor nacional da Polícia Judiciária deixa aviso grave
O diretor nacional da Polícia Judiciária, Carlos Cabreiro, lançou um alerta preocupante sobre uma nova tendência entre jovens portugueses: a utilização de aplicações como o WhatsApp para criar e partilhar imagens falsas de nudez através de Inteligência Artificial. O responsável falava na Assembleia da República durante uma audição relacionada com o projeto de lei que pretende limitar o acesso de menores às redes sociais e plataformas digitais.
Segundo explicou, estão a surgir grupos privados onde adolescentes partilham fotografias manipuladas de colegas e amigos, recorrendo a ferramentas de IA que conseguem gerar imagens de nudez extremamente realistas. Apesar de serem falsas, estas fotografias mantêm os rostos verdadeiros dos jovens, criando situações de humilhação pública, isolamento e forte impacto psicológico. O dirigente da PJ alertou que o efeito destas montagens pode ser tão destrutivo como o de uma fotografia verdadeira divulgada sem consentimento.
Durante a intervenção, Carlos Cabreiro defendeu que a futura legislação não deve abranger apenas redes sociais como Facebook, Instagram ou TikTok, mas também plataformas de comunicação privada como WhatsApp, Messenger, Signal e Telegram. O responsável acredita que estas aplicações estão cada vez mais a ser usadas para disseminar conteúdos manipulados e para promover fenómenos de cyberbullying entre menores, algo que preocupa as autoridades portuguesas.
O projeto de lei apresentado pelo PSD já foi aprovado na generalidade no Parlamento e prevê que apenas jovens com 16 ou mais anos possam aceder livremente às redes sociais. Entre os 13 e os 16 anos, será necessário consentimento parental expresso e verificado. A discussão continua agora na especialidade, numa altura em que o avanço da Inteligência Artificial levanta novos desafios à proteção digital de crianças e adolescentes em Portugal.





