Ex-inspetor revelou novos detalhes sobre o período em que as crianças permaneceram em Portugal
As duas crianças francesas que foram abandonadas numa estrada em Alcácer do Sal já regressaram a França. Barthélémy, de três anos, e Zacharie, de cinco, deixaram Portugal no passado dia 29 de maio, depois de vários dias sob proteção e com o paradeiro mantido em sigilo.
Os irmãos tinham sido deixados no local pela mãe, Marine Rousseau, de 41 anos, e pelo namorado desta, Marc Ballabriga, de 55. Durante o período em que permaneceram em território português, o paradeiro das crianças foi mantido sob sigilo até ao regresso a França.
Carlos Anjos, ex-inspetor-chefe da Polícia Judiciária, revelou novos detalhes sobre o processo e explicou que as autoridades francesas trataram da deslocação de duas pessoas para acompanhar o regresso dos menores. “As autoridades francesas trataram da deslocação de duas pessoas, uma representante dos serviços sociais centrais deles, que trabalha em Paris, e outra dos serviços locais de Colmar, cidade para onde as crianças retornaram”, explicou.
O ex-inspetor adiantou ainda que, do lado português, as questões burocráticas e jurídicas já estavam encerradas. “Competiu aos franceses vir buscar as crianças. Para Portugal todas as questões burocráticas ou jurídicas estavam fechadas. Dependia apenas das autoridades francesas, de eles se organizarem, para garantir quando é que as crianças voltavam a França”, afirmou.
Carlos Anjos acrescentou que os representantes franceses chegaram na quinta-feira, 28 de maio, reuniram-se com um representante das autoridades portuguesas e, no dia seguinte, finalizaram o processo. “Na sexta, 29, finalizaram todas as questões, rececionaram e levaram as crianças de volta”, adiantou. Antes da partida, os irmãos foram ainda submetidos a diversos exames médicos no Hospital de São Bernardo, em Setúbal.
Durante os dias em que estiveram em Portugal, o local onde Barthélémy e Zacharie se encontravam foi mantido em segredo. O ex-inspetor revelou que as crianças “estiveram ao cuidado de uma família francesa”, mas afastou a ideia de que tivessem ficado em Lisboa ou na cidade de Setúbal. Segundo explicou, estiveram com uma família de acolhimento na península de Setúbal, “numa zona recatada entre as duas cidades”.
Outra fonte indicou que os menores passaram oito dias numa propriedade discreta, situada numa localidade pacata da mesma região, na zona de Palmela. Carlos Anjos defendeu que a reserva em torno do paradeiro das crianças teve como objetivo garantir tranquilidade aos irmãos antes do regresso a França. “Estiveram num sítio onde não se queria que se soubesse onde estavam. Não era para andar alguém a ir ter com as crianças. O que elas padeceram já tinham padecido. A ideia das nossas autoridades foi dar-lhes tranquilidade até à saída delas para França”, concluiu.






