Tribunal de Aveiro considera provada a “frieza de ânimo” do jovem no caso que vitimou a vereadora Susana Gravato
O adolescente acusado de matar a própria mãe, a vereadora da Câmara de Vagos Susana Gravato, foi condenado a três anos de internamento em regime fechado pelo Tribunal de Família e Menores de Aveiro. A decisão foi conhecida e resulta de um processo que chocou o país pela brutalidade dos factos. O crime ocorreu a 21 de outubro de 2025, quando a vítima foi morta com dois tiros na cabeça dentro da sua própria casa.
Durante a leitura da sentença, a juíza presidente deu como provado que o jovem executou o crime na habitação familiar e que descreveu os factos em tribunal com detalhe e sem demonstrar emoção. O tribunal destacou ainda a postura do adolescente em audiência, sublinhando a ausência de qualquer reação emocional ao relatar o homicídio. A magistrada referiu expressamente a “frieza de ânimo” demonstrada, sobretudo no momento em que o segundo disparo foi efetuado, após a vítima ainda ter falado com o filho.
Segundo o acórdão, o comportamento do jovem revelou também uma profunda insensibilidade perante a vida da mãe, bem como uma tentativa posterior de encobrir o crime. Após o homicídio, terá simulado um cenário de assalto para tentar afastar suspeitas, dando essa versão ao pai. O tribunal sublinhou ainda que não foi identificado qualquer contexto de violência familiar que pudesse antecipar um desfecho tão grave.
Os relatórios médico-legais analisados em tribunal concluíram que o adolescente não sofre de qualquer perturbação psiquiátrica maior que explique a prática do crime. No entanto, foram identificados “traços psicopáticos significativos”, com indicação de ausência de empatia, falta de remorso e risco acrescido de comportamentos violentos. Estes fatores foram decisivos para a aplicação da medida mais pesada do regime tutelar educativo: internamento em centro educativo em regime fechado.
O jovem cumprirá a medida durante três anos no Centro Educativo Santo António, no Porto, onde já se encontrava em regime cautelar desde a prática do crime. A decisão será revista de seis em seis meses e inclui acompanhamento pedopsiquiátrico e psicológico regular, estendido também ao pai e ao irmão. Após a leitura da sentença, que durou cerca de uma hora, o jovem foi informado em sala separada, num momento de grande tensão no Tribunal de Aveiro, enquanto o país continua a acompanhar um caso marcado pela sua extrema gravidade.





