Pais do futebolista do Liverpool e do irmão, falecido com ele, viveram sempre dedicados à família e aos sonhos dos filhos
O país e o mundo do futebol continuam em choque com a morte trágica de Diogo Jota, de 28 anos, e do irmão André Silva, de 25, que perderam a vida num acidente de viação em Zamora, Espanha, na quinta-feira, 3 de julho. Mas no centro da dor está um casal cujo sofrimento é difícil de descrever: Joaquim e Isabel Silva, os pais que perderam os seus dois únicos filhos ao mesmo tempo.
Desde a divulgação da notícia, têm-se multiplicado as mensagens de pesar e solidariedade, com milhares de pessoas a lembrarem os pais, que ao longo dos anos se mostraram sempre presentes, discretos, mas profundamente empenhados no percurso dos filhos — sobretudo de Diogo Jota, cujo talento o levou até ao Liverpool e à Seleção Nacional.
Joaquim Silva, ex-jogador do Sousense, e atualmente operário numa empresa de gruas em Gondomar, contava em entrevistas passadas como ele e a mulher, Isabel, que trabalhava numa fábrica de componentes eletrónicos, fizeram sacrifícios constantes para apoiar os filhos.
“Passei muitas horas ao frio, à chuva e ao vento a vê-lo nos treinos e nos jogos. E com um salário fabril não era fácil comprar tantas chuteiras”, disse Joaquim em entrevista à revista Sábado.
“O Diogo viu de perto as dificuldades que os pais tinham. Nunca escondemos aos nossos filhos as limitações que tínhamos”, recordava também, em 2020, ao MaisFutebol.
“É por isso que sabe dar valor às coisas, valor à vida.”
Com raízes humildes e uma paixão familiar pelo futebol — partilhada por Joaquim, o avô e o tio —, os irmãos cresceram num ambiente de trabalho árduo, mas cheio de valores. Agora, Joaquim e Isabel enfrentam uma dor que nenhum pai ou mãe deveria conhecer: a perda de ambos os filhos de uma só vez.
O país está em luto com eles. E, mais do que tudo, está solidário com dois pais que sempre souberam ser presença, força e apoio incondicional.






