Novas revelações expõem a “mentira” que sustentou a relação e antecedeu o homicídio em Nova Iorque
Quinze anos depois do homicídio brutal de Carlos Castro, o caso que abalou Portugal em janeiro de 2011 volta a estar no centro do debate público. O assassinato cometido por Renato Seabra, então um jovem modelo de 21 anos, foi recentemente analisado no podcast “Há Crime”, conduzido por Júlia Pinheiro e pela jornalista Marta Gonçalves. À distância do tempo e com Renato Seabra a cumprir uma pena de 25 anos de prisão, surgem agora novos detalhes sobre a relação entre ambos, marcada por um pacto de silêncio, dissimulação e expectativas profundamente desalinhadas.
O crime ocorrido no hotel InterContinental, em Nova Iorque, expôs uma realidade muito diferente daquela que era conhecida do público. Renato Seabra, visto como um modelo “pacato” e tímido, construiu uma imagem que conquistou empatia, mas que escondia fragilidades e contradições. Fátima Lopes, estilista que o conheceu no concurso À Procura do Sonho, descreveu-o como “o mais tímido e o mais bonzinho” entre os candidatos, sublinhando que o seu sucesso não se deveu ao talento técnico, mas à facilidade com que despertava simpatia. “Ele era o oposto do maléfico”, afirmou, desconstruindo a ideia de um jovem predestinado para o estrelato internacional.
A viagem para Nova Iorque, apresentada à família de Renato como uma oportunidade profissional, é hoje apontada como uma “mentira” construída a dois. Segundo Fátima Lopes, o protocolo das agências de modelos nunca permitiria uma deslocação informal acompanhada por um “amigo” que prometia trabalho. “Eles enganaram a mãe. Não foi só o Carlos Castro. Havia ali um acordo entre os dois”, garantiu a estilista, revelando que a relação assentava numa narrativa falsa: Renato alimentava a ideia de uma carreira internacional, enquanto Carlos Castro acreditava viver um romance que nunca foi plenamente assumido.
Essa ambiguidade foi também confirmada por Fernanda Dias, ex-diretora da revista Caras e amiga próxima de Carlos Castro. Segundo a jornalista, o cronista social acreditava que Renato ainda não tinha definido a sua orientação sexual, o que gerava insegurança e ciúmes. “Era evidente que tinha ciúmes, sobretudo da possibilidade de ele gostar de meninas”, revelou. Quinze anos depois, o caso continua a levantar questões sobre identidade, poder e manipulação, mostrando como uma relação construída sobre silêncio e ilusão acabou por terminar da forma mais trágica possível.
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