Manilson Novais foi baleado pelas costas por membros do gangue PDS, numa vingança cega por uma agressão da qual não participou. Supremo Tribunal confirma penas pesadas para os seis homicidas
A justiça portuguesa confirmou esta semana as penas de 16 anos de prisão para os seis membros do gangue PDS, do Lumiar, Lisboa, responsáveis pela morte trágica de Manilson Novais, um jovem de apenas 16 anos. O caso, que chocou o país, remonta a fevereiro de 2022 e insere-se num contexto de violência entre grupos juvenis rivais — os K26, de Camarate (Fetais), e os PDS, do Lumiar.
Manilson, embora fizesse parte do grupo K26, não esteve envolvido na agressão que despoletou a cadeia de acontecimentos mortais. No dia 16 de fevereiro, um elemento dos K26 esfaqueou um membro do PDS. Três dias depois, os rivais planearam uma retaliação com requintes de premeditação: alugaram uma carrinha branca e muniram-se de uma caçadeira. Na noite de 19 de fevereiro, saíram à caça de quem julgavam ser os agressores.
Enquanto Manilson caminhava com um amigo — que era o verdadeiro alvo — foi atingido com dois tiros pelas costas e acabou por morrer no hospital, pouco tempo depois. O amigo, ferido na mão, sobreviveu. A Polícia Judiciária de Lisboa rapidamente iniciou a investigação e conseguiu capturar todos os envolvidos, levando-os a julgamento.
Durante o julgamento, realizado em dezembro de 2023, ficou patente o desprezo dos agressores pela vida humana. A juíza-presidente do coletivo classificou o crime como motivado por “bazófia e ameaças”, com os arguidos a vangloriarem-se do ato entre si e a intimidarem os familiares da vítima. O Supremo Tribunal de Justiça veio agora confirmar na íntegra as condenações, considerando tratar-se de um homicídio com “motivo torpe”, uma vingança absurda contra alguém que nada teve a ver com a agressão inicial.
Este caso lança luz sobre a crescente violência entre grupos juvenis nos arredores de Lisboa, onde a rivalidade entre bairros assume contornos mortais. O nome de Manilson Novais junta-se agora à lista de vítimas inocentes de um conflito onde o simples facto de “pertencer ao grupo errado” pode significar uma sentença de morte.
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