Morreu aos 88 anos o magnata dos media, político e empresário que marcou a história do jornalismo e da televisão em Portugal
Francisco Pinto Balsemão sempre recusou viver à sombra da herança familiar — agora, a sua própria fortuna de milhões será repartida entre a mulher e os cinco filhos.
A morte de Balsemãoo, no passado dia 21 de outubro de 2025, aos 88 anos, encerra um dos capítulos mais marcantes da história recente de Portugal. Jornalista, empresário e político, foi primeiro-ministro entre 1981 e 1983, fundador do jornal Expresso, da SIC e do Grupo Impresa, e uma das figuras mais influentes da comunicação social portuguesa. Oriundo de uma família abastada, Balsemão destacou-se, porém, por recusar viver à sombra da fortuna herdada, preferindo construir o seu próprio caminho através do mérito, da inovação e da visão empreendedora.
Desde cedo, o fundador do Expresso sublinhava a importância de olhar em frente e criar. “O que está para trás é importante, naturalmente, mas o que interessa é sempre olhar para frente. Criar é muito importante”, dizia. Nascido num palacete da Lapa, em Lisboa, num lar com “seis ou sete criadas”, Francisco Pinto Balsemão cresceu protegido, mas determinado a não ser apenas “um menino do berço de ouro”. Só aos 27 anos deixou a casa da família para casar pela primeira vez — o mesmo palacete que, décadas mais tarde, seria vendido por 10 milhões de euros, negócio concluído em 2024.
A herança deixada pelo empresário será agora repartida entre a mulher, Maria Mercedes Aliu Presas (Tita) Balsemão, e os cinco filhos: Mónica, Henrique, Francisco Maria, Joana e Francisco Pedro. No total, 20 descendentes, entre filhos, netos e uma bisneta, herdam um património avaliado em cerca de 40 milhões de euros, embora os valores reais dos ativos sejam consideravelmente superiores. O espólio inclui imóveis de luxo, como a residência na Quinta da Marinha, aplicações financeiras, contas bancárias e ações da Impresa, cujo valor de mercado voltou a subir recentemente.
Três semanas antes da sua morte, Balsemão viu as suas ações da Impresa valorizarem 6,3 milhões de euros na Euronext Lisboa, reforçando o valor global da fortuna. A família encontra-se ainda em negociações avançadas com o grupo italiano MFE-MediaForEurope, liderado pela família Berlusconi, para vender uma parte relevante da Impresa, grupo que inclui a SIC e o Expresso. Esta operação poderá redefinir o futuro da comunicação social portuguesa e marcar o fim de uma era em que o nome Balsemão esteve intrinsecamente ligado ao jornalismo nacional.
A mulher, Tita Balsemão, teve sempre um papel ativo nas empresas fundadas pelo marido — foi uma das cofundadoras do Expresso, acionista da Impresa e presidente da SIC Esperança, instituição de solidariedade social. O filho mais novo, Francisco Pinto Balsemão, é atualmente CEO do Grupo Impresa, assegurando a continuidade do legado familiar no setor dos media. Apesar da dor da perda, a família une-se agora para honrar a memória de um homem que transformou a comunicação social portuguesa, defendendo o jornalismo livre, a inovação e a responsabilidade social.






